Bancos portugueses podem voltar emitir Bonds em 2014 -Pres. APB

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LISBOA, 3 Fev | Fri Feb 3, 2012 2:17pm GMT

LISBOA, 3 Fev (Reuters) - Os bancos portugueses, que deixaram de emitir obrigações no meio da crise financeira global, poderão voltar aos mercados obrigaccionistas em 2014, caso Portugal consiga começar a emitir Bonds no final de 2013, disse o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).

Acrescentou que "é possível que a República, no final de 2013, volte aos mercados ou, pelo menos, comece a ir para prazos mais alargados do mercado".

"Provavelmente haverá algum tempo de dilacção entre isso (final 2013) e a banca conseguir voltar aos mercados, portanto, será será algures em 2014", afirmou António de Sousa aos jornalistas, à margem de uma conferência da APB.

Realçou que "será indispensável" o processo de crediblização das políticas de ajustamento, no âmbito do 'bailout', para Portugal voltar aos mercados.

Os bancos portugueses deixaram de emitir Bonds e viram o mercado de 'wholesale' fechar-se com o agravamento da crise da dívida soberana e corte de ratings da Portugal e da banca, que está muito dependente do 'funding' do Banco Central Europeu (BCE).

António de Sousa secundou as afirmações de resiliência da banca portuguesa feitas pelo governador do Banco de Portugal e do ministro das Finanças, salientando que os prejuízos dos bancos no quarto trimestre de 2011 se ficam a dever a imparidades 'one off'.

"Não serão recorrentes (esse items), são excepções. Mas, isto não quer que dizer que a banca não tenha um problema estrutural de rentabilidade", afirmou.

"Tem-no e tê-lo-á nos próximos anos, o aumento do custo do 'funding' foi substancial, nomeadamente nos depósitos e uma boa parte da carteira dos bancos é crédito à habitação que foi concedido com taxas muito baixas", acrescentou.

Portugal está sob um 'bailout' de 78.000 milhões de euros (ME) da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui uma linha de 12.000 ME para a capitalização da banca, caso os bancos não consigam reforçar os seus capitais por meios próprios e/ou no mercado.

Este pacote de ajuda externa contém duras medidas de austeridade que o Governo prevê leve a economia portuguesa a uma contração de dois anos para voltar ao crescimento em 2013. (Por Sérgio Gonçalves e Shrikesh Laxmidas; Editado por Filipa Cunha Lima)

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