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NOVA 2-Zon resiliente à crise em Portugal, vê 'break-even' Angola início 2012
March 1, 2012 / 9:56 AM / 6 years ago

NOVA 2-Zon resiliente à crise em Portugal, vê 'break-even' Angola início 2012

(Acrescenta declarações do CEO e CFO sobre os seguintes temas: operação angolana, resultados de 2011 e dividendos)

Por Filipe Alves

LISBOA, 1 Mar (Reuters) - A Zon Multimédia, cujo lucro subiu 46 pct no quarto trimestre de 2011, está a mostrar resilência à crise económico-financeira em Portugal, e a subsidiária ‘start-up’ angolana ZAP deverá atingir o ‘break even’ a partir do início deste ano, deixando de penalizar os resultados, segundo o CFO da Zon.

Os analistas têm realçado que a Zap -- lançada em 2010 e que é detida em 30 pct pela Zon e em 70 pct pela empresária angolana Isabel dos Santos -- deverá ser um importante ‘trigger’ para os resultados da Zon nos próximos anos.

A Zap é vista a capitalizar o previsto forte ritmo de crescimento económico em Angola, que contrasta com a maior recessão dos últimos 30 anos em Portugal.

“Estamos a perspectivar o ‘break even’ (do lucro) e resultados positivos no EBITDA (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) da ZAP a partir do início de 2012”, afirmou José Pereira da Costa, Chief Financial Officer (CFO), num encontro com jornalistas.

A Zon, segunda maior telecom e líder no ‘pay tv’ em Portugal, teve um lucro de 5,7 ME entre Outubro e Dezembro de 2011, batendo os 5 ME de média estimada pelos analistas, com a redução das necessidades de investimento na rede a compensar a queda das receitas provocada pela crise económica em Portugal.

No entanto, no conjunto de 2011, o resultado líquido caiu 3,5 pct para 34,2 ME, tendo a operadora angolana ZAP penalizado o lucro da Zon em 10 ME. Sem este prejuízo oriundo de Angola, o resultado anual da Zon teria crescido 24 pct para 44 ME.

Declinando revelar, para já, o número de clientes da ZAP, José Pereira da Costa frisou que o “último trimestre foi muito positivo”.

“A operação em Angola está muito consolidada. Em termos de reconhecimento de marca é claramente a líder em termos de notoriedade é a que apresenta resultados (operacionais) claramente positivos”, afirmou.

Por sua vez, o presidente-executivo da Zon, Rodrigo Costa, frisou que a operação em Moçambique, também através da ZAP, está igualmente a cumprir as expectativas.

“O nosso tema (Zap) em Angola corre muito bem e em Moçambique estamos também a fazer progressos”, disse o Chief Executive Officer (CEO), lembrando que em tempos de crise a Zon “não tem margem para erros”.

Angola e Moçambique são as primeiras incursões internacionais da Zon, empresa que em Novembro de 2007 foi autonomizada do grupo Portugal Telecom (PT).

Questionado sobre o ‘guidance’ para os dividendos relativos a 2011, Rodrigo Costa recusou avançar qualquer informação, para “não gerar expectactivas no mercado”.

“Não há nenhum tema especial sobre os dividendos, é uma discussão que vamos ter no conselho de administração a partir de Março, antes da assembleia geral”, disse.

O CEO recusou fazer comentários sobre movimentos de consolidação no sector das telecom, envolvendo a Zon, que têm sido avançados pelos analistas, vincando: “não comento esses temas. A nossa preocupação é criar valor”.

“A nossa estratégia é muito simples. Sabemos que não temos recursos ilimitados e que estamos num país que é de facto pequeno. Quando investimos, estamos sempre a pensar como é que esse investimento se traduz num benefício para o cliente e em valor para a empresa”, vincou Rodrigo Costa.

Acrescentou o CEO: “para 2012 vamos continuar a trabalhar como até agora, sendo racionais nos investimentos e com sentido de responsabilidade, sabendo que existe sempre uma pressão sobre as receitas em qualquer negócio em Portugal. É um tema com o qual temos de saber viver”.

As acções da Zon seguem a valorizar 2,88 pct para 2,397 euros, a bater a subida de 0,77 pct do índice nacional PSI20 e contrariando a descida de 0,05 pct da Portugal Telecom.

ZON RESILIENTE À CONJUNTURA ADVERSA

“No seu conjunto, resultados equilibrados, tendo em conta a actual conjuntura macroeconómica”, afirmaram os analistas do BBVA, numa nota de ‘research’.

Os analistas do Deutsche Bank consideraram que os resultados apresentados pela telecom demonstraram “resiliência” em tempo de crise.

“Veríamos com bons olhos um prolongar da maturidade média da dívida, que é de apenas 2,3 anos, mesmo estando as necessidades de refinanciamento garantidas até 2013, mas vemos estes resultados como positivos”, referem os analistas do banco germânico.

As receitas trimestrais da segunda maior telecom de Portugal caíram 2,5 pct para 215,6 ME, afectadas pela recessão económica, em tempos de ‘bailout’.

“Temos de ter noção de que o país está numa crise grande, há uma redução do consumo das familias”, disse Rodrigo Costa, salientando que a empresa se soube “adaptar à realidade actual”.

Contudo, o EBITDA -- lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações -- subiu 0,4 pct em termos homólogos, para 73,6 ME, devido ao aumento do ‘cash flow’ permitido pelas menores necessidades de investimento na rede.

“Tal como previsto, um aumento muito forte na geração de cash: o EBITDA menos CAPEX aumentou de um valor negativo de 5,2 milhões de euros no quarto trimestre de 2010 para um valor positivo de 33,1 milhões de euros no quarto trimeste de 2011”, referiu a Zon na apresentação de resultados.

Adiantou: “o ‘free cash flow’ aumentou para 30,8 milhões de euros no quarto trimestre de 2011, o que compara com um valor negativo de 7 milhões de euros” no período homólogo.

Entre 2009 e 2011, a Zon realizou o ‘upgrade’ da sua rede de cabo coaxial para a tecnologia DOCSIS 3.0, de modo a poder concorrer com as nascentes redes de fibra óptica da PT, Vodafone , Sonaecom e Oni.

“Os investimentos altíssimos que fizemos serviram para melhorar a performance da nossa rede. A transformação da nossa rede permitiu rentabilidades maiores em termos de tráfico”, salientou Rodrigo Costa.

Apesar da queda das receitas, o quarto trimestre assistiu a um crescimento líquido de 12,8 mil novos clientes de ‘pay tv’, de 14,2 mil adições líquidas na banda larga e de 39,9 mil nas telecomunicações de voz fixa.

Por sua vez, a receita média mensal por cliente (ARPU) manteve-se “resiliente”, disse José Pereira da Costa, aumentando 1,2 pct para 35,5 euros.

No cômputo de 2011, apesar das receitas terem caído 2 pct para 854,8 ME, o EBITDA ascendeu a 311,2 ME, ou seja, mais três pct que em 2010, com a margem EBITDA a atingir 36,4 pct, mais 1,7 pontos percentuais que no período homólogo.

O ‘free cash flow’ no ano de 2011 foi positivo em 51,5 ME, mais do que cobrindo os pagamentos líquidos de dividendos realizados em 2011, de 49,4 ME, permitindo reduzindo na dívida financeira líquida, para 637,5 milhões de euros.

O CEO acredita que, apesar da crise e da reduzida dimensão do mercado português, ainda é possível crescer em Portugal.

“O mercado ainda pode crescer. Na televisão é um mercado maduro, de facto, mas há ainda margem de crescimento da ordem dos 20 pct na Internet fixa. A parte do telefone fixo também”, disse.

Por Filipe Alves; Editado por Sérgio Gonçalves

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