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RESEARCH PORTUGAL-Espírito Santo corta avaliações BCP e BPI após recurso linha 'bailout'
June 5, 2012 / 10:42 AM / 5 years ago

RESEARCH PORTUGAL-Espírito Santo corta avaliações BCP e BPI após recurso linha 'bailout'

LISBOA, 5 Jun (Reuters) - O Espírito Santo Investiment Bank manteve a recomendação “Neutral” para as acções do Millennium bcp e BPI mas cortou as avaliações, após o recurso destes bancos à linha de recapitalização do ‘bailout’, prevendo que o maior banco privado português tenha mais dificuldades em reembolsar o Estado.

Num ‘research’ hoje divulgado, o Espírito Santo reviu a avaliação do BCP dos anteriores 0,18 euros para 0,10 euros por acção e a do BPI de 0,56 euros para 0,4 euros por título, uma vez que as acções dos dois bancos “poderão sofrer alguma pressão devido à potencial diluição nos aumentos de capital”.

Os dois bancos aprovaram ontem os respectivos planos de recapitalização, com recurso à linha pública prevista no ‘bailout’, com o BCP a pedir 3.000 ME e o BPI a solicitar 1.300 ME, na forma de obrigações contingentes elegíveis para ‘core capital’, conhecidas como ‘coco bonds’, que terão ser pagas no prazo de cinco anos.

Os accionistas privados serão também chamados a participar no processo de recapitalização, com uma ‘cash call’ de 500 ME e outra de 200 ME no BPI -- ambas tomadas firmes pelo Estado.

O Espírito Santo considerou que o plano de recapitalização do BCP (3.500 ME) é superior às suas estimativas, enquanto o do BPI (1.500 ME) fica “ligeiramente acima”.

O objectivo é reforçar o rácio de solvabilidade ‘core Tier 1’, cumprindo a meta mínima de 9 pct fixada pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) para 30 de Junho de 2012 e a exigência de 10 pct determinada pelo Banco de Portugal (BP) para 31 de Dezembro de 2012.

A meta da EBA é mais exigente que a do Banco de Portugal, uma vez que obriga a reconhecer as menos-valias com dívida pública em carteira, pelo que os bancos têm de constituir um ‘buffer’ (almofada) financeira para amortecer essas perdas eventuais.

Os analistas referiram que o montante que o Millennium bcp vai receber na forma de obrigações contingentes (‘CoCo bonds’) colocará “pressão no balanço do banco e poderá gerar preocupação nos investidores quanto à capacidade do banco de os reembolsar”.

Acrescentaram: “estimamos que o BCP poderá atingir um rácio ‘core capital’ confortável, de 10,3 pct pelas regras da Autoridade Bancária Europeia (EBA) e de 13,3 pct pelas do Banco de Portugal (BP) (...). A questão é se o BCP será capaz de pagar os 3.000 ME em CoCos antes da sua maturidade”.

Os analistas acreditam que o BCP deverá ser capaz de o fazer, mas consideram que após o reembolso das ‘CoCo bonds’ o rácio ‘core Tier 1’ deverá situar-se em 9,3 pct, “abaixo da média dos bancos europeus”.

No que diz respeito ao BPI, o Espírito Santo Investiment considerou que “o BPI está numa posição mais confortável que o BCP e deverá ser capaz de devolver os 1.300 ME em CoCos antes da maturidade, uma vez que a maior parte do ‘buffer’ para dívida soberana (do BPI) diz respeito a dívida pública portuguesa, que não deverá sofrer um ‘haircut’, no nosso cenário base”.

O ES Investiment referiu ainda que os principais accionistas do BPI -- a ‘caja’ espanhola La Caixa e a Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos -- deverão ”suportar o aumento de capital“ de 200 ME previsto no plano de recapitalização do banco”.

“Assumimos que o preço de subscrição do aumento de capital terá um desconto de 30 pct face ao nosso estimado TERP, em linha com transacções similares realizadas na Europa”, referiram, acrescentando que o ‘core Tier 1’ do BPI após a operação deverá ficar em 14 pct pelas regras de cálculo do BP e em 9,1 pct pelas da EBA. (Por Filipe Alves; Editado por Sérgio Gonçalves)

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